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Archive for janeiro \28\UTC 2010

8.

  Por que será que é tão difícil olhar para si mesmo, olhar para dentro e entender o que se passa dentro de você, independentemente de influências externas? Por que tantas vezes necessitamos de nos esconder atrás de uma carranca, uma máscara? Carrancas essas que nos escondem dos outros e de nós mesmo. E tudo isso por medo. A palavra chave para todo esse teatro é o medo.

  Medo da vulnerabilidade? “Ela falou você tem medo, eu disse quem tem medo é você.” Medo de não poder mais se esconder de você mesmo? E claro, o medo de ser desmascarado. A partir daí, as máscaras se transformam em carrancas, mas elas não servem apenas para afastar maus espíritos, servem pra afastar sua alma de você, afastar as partes mais incontroláveis, mais imprevisíveis do seu derradeiro lugar.

  “E eu dizia ainda é cedo…”

  Me encontro nesse turbilhão de tudo e de nada, me perco antes mesmo de dar o primeiro passo. Ao mesmo tempo em que tento me encontrar, encontro pelo caminho, você, os outros, os pedaços, os fragmentos de outras essências. Será que eles ao menos se dão conta de que estão interpretando papéis? Afinal, ter consciência disso, já é o primeiro passo pra se reencontrar.

“Os sonhos vem, os sonhos vão, o resto é imperfeito.” Inevitavelmente, nós estamos vivos, estamos no mundo, fazemos parte de uma sociedade. Cabe a nós viver, e verdadeiramente.

  Existem caminhos mais fáceis, mais curtos, porém que não nos levam ao melhor destino, as melhores estações e aeroportos, as melhores escolhas, aos melhores momentos.

  Mas quanto tempo será possível fugir de você mesmo? Quanto tempo? Isso desgasta até os ossos. Tanto suor à toa, tanto trabalho inútil… E tudo isso pra provar algo, pra não provar algo, esconder algo? Uma existência brilhante, se transforma numa existência medíocre.

  A minha vontade é ir até sua casa, até onde você estiver, arrombar tua porta com os dois pés e te dizer que você é mais do que uma simples carranca, e que medo, nós temos mesmo, mas não podemos nos deixar paralisar. Quero abrir teus olhos, te jogar um balde água fria, te dizer: “Por favor acorda, por favor abra os olhos, abra teu coração. Veja o que há a sua volta, mas você está deixando isso tudo escorrer por suas mãos, como minúsculos grãos de areia. Lembre que você é tudo isso, saiba teu valor. Acorde desse sonho cheio de pavor, pesar por tudo que você deixou por medo, mágoa do que já passou e não foi da maneira como você desejava… acorde e vá atrás de tudo que é você, de tudo que é seu. Porque você esqueceu de quem tu és, mas eu estou aqui pra te trazer de volta. Volte!”

  “E nossa história não estará pelo avesso assim, sem final feliz. Teremos coisas bonitas pra contar e até lá vamos viver. Temos muito ainda por fazer, não olhe pra trás, apenas começamos. O mundo começa agora, apenas começamos.”

  E eu quero tudo, tudo aquilo de que há muito tempo eu fujo. Eu quero uma intensidade de cegar os olhos, quero ouvir cada batida do meu coração.

“Eu sei que você sabe, quase sem querer, que eu vejo o mesmo que você.”

  Eu posso fazer a minha parte, meu caminho, por mim mesma, mas por você, apenas você mesmo. Eu acredito em mim, em você. E enfim, o que tenho é o hoje e as mil maneiras que eu posso ter pra lidar com isso.

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7.

  Era vazia porque era cheia. Era sutil porque era intensa. Era fria porque era quente. E vice versa.

  Um labirinto numa ilha, num mundo todo.

  Me sinto meio desorientada. “Antigamente eu sabia exatamente o que fazer.” Me perdi em mim mesma, eu acho. Deixei de entender o que, antes, me fazia tanto sentido. Não sei o que quero, por que eu quero. Nem sei mais o que sinto, queria sentir ou não certas coisas, mas eu não sei mais de nada. Me sinto esmagada por mim mesma. Tanta pressão, tanta cobrança por atitudes que vem de mim mesma, que acabei perdendo o rumo, eu acho.

  Sei, por exemplo, que esse ano eu tenho que estudar pra cacete pra passar no vestibular e entrar em uma ótima faculdade, mas eu já não sei mais porque eu quero fazer isso, nem sei se o curso que eu escolhi é o correto pra mim, porque nem sei mais o que eu quero, o que eu gosto. Não consigo me entender mais, não sei mais o que faz sentido. Não sei o que sou, muito menos o que quero ser. Onde estão aquelas certezas tão absolutas que eu tinha?

  Proponho-me a tomar certas posturas e atitudes, mas nem sei se é exatamente isso que eu quero. Não sei o caminho, estou na encruzilhada, porém sem nem saber o porque estou nela. Proponho-me a ser uma sacana, cretina e mau caráter, porque é mais fácil do que ser correta e transparente, mas nem isso eu consigo. Só de planejar ser “mauzinha” já sinto que as pessoas estão me desmascarando. Não consigo me esconder de mim mesma, essa que a real. Esse individualismo todo é uma máscara pra me esconder do mundo externo que aprova ou não minhas atitudes.

  Sou impaciente demais pra entender e esperar por qualquer coisa. Quero sentir demais ou de menos, crio dentro de mim um paradoxo que me atormenta, meu ego me atormenta, todo mundo me atormenta, parece que vou me quebrar, me perder em milhões de pedaços minúsculos e invisíveis, e perder-se de mim de vez.

  Eu quero o tudo e o nada, eu quero aquelas coisas que eu li naqueles dois livros, umas intensidade tão grande, mas que ao mesmo tempo me assusta. Será que eu consigo viver de forma tão verdadeiramente intensa daquela forma? Sei que no meio desse turbilhão todo de inseguranças, perco todo meu melhor, esqueço todo meu melhor.

  “Tenho andado distraído, impaciente e indeciso. E ainda estou confuso (…) Quantas chances desperdicei quando o que eu mais queria era provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém.”

  Além de tudo, espero muito das pessoas e acabou me tornando uma carrasca intolerante. Tenho que aceitar que as pessoas nos dão o que podem dar e que não é nada pessoal. E tenho que lembrar que as pessoas são importantes e necessárias na minha vida, pois, eu não sei os outros, mas eu não posso e não consigo viver numa ilha.

  Alívio, não? Saber o que sinto já é um começo para entender e resolver as coisas.

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