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Archive for novembro \30\UTC 2010

Mutável.

Lá embaixo, ela observa. Tinha, não menos, que cem metros.

– Pode até parecer pouco, mas será que consigo?

Essa foi a pergunta feita à montanha. Prendeu, então, seus longos cabelos onde a luz era refletida e assim, sem mais nem menos, começou sua escalada. Havia uma necessidade no sabor que levava nos lábios, havia uma fome que morava em seus olhos.

O sol castigava suas costas, seu corpo todo, mas em cada centímetro de sua pele que ardia e repuxava por causa daquela luz fervente, havia uma centelha de vida cada vez mais viva, que crescia cada vez mais. Sentia que algo dentro dela estava crescendo a caminho de transbordar-se e a deixá-la cada vez mais extasiada.

Pedras rolam montanha a baixo, quase a ferindo no rosto, quase a fazendo alterar seu semblante de confiança. Em seu interior havia medo, havia uma compulsão quase insana para que ela deixasse toda aquela empreitada de lado e voltasse para o solo, de onde nunca deveria ter se arriscado sair, dizia sua mente, seu autocontrole apavorado. No entanto, havia uma chama interna, um desejo de vida, que ameaçava explodir a cada momento que ela cogitava desistir. Não, aquele não era momento da chama explodir, deveria haver um propósito, ela pensava – como sempre sua mente tentava sistematizar o sentimento, tentava incessantemente manter o controle; em vão, pois já era tarde demais… A palavra já havia sido dito, a pedra já havia sido arremessada, nada poderia fazer voltar, fazer com que deixasse de ser.

A escalada está no fim e esta se transforma na parte mais dura do processo, as forças praticamente esvaíram-se todas e doía. Doía porque ela escolheu o caminho da dor, escolheu que algo dentro dela urrasse e chicoteasse tudo que não fosse verdadeiramente sentido, vivido e desejado. Havia um conflito interno, era o desejo de entregar-se e viver profundamente cada pessoa, cada instante, cada vontade e querer, indo de encontro com os freios internos querendo desesperadamente jogar um balde racionalidade nisso tudo, para que tudo acabasse apenas em fumaça úmida. O desejo de sentir foi mais forte, verdadeiramente mais desejado.

Mais um metro e acabou, pensava ela. Foi necessário força, descontrole, mas ela conseguiu. Quando chegou ao topo não conseguia enxergar nada, havia uma luz ofuscante que impedia, até mesmo, que ela pudesse manter seus olhos abertos. Foi então que fechou os olhos da mente e abriu os do coração. E a transformação estava terminada, ela não voltaria mais a ser um amontoado de autocontrole, medo e indiferença… Pois agora ela estava verdadeiramente viva, verdadeiramente sentindo e pulsando.

Entre Maria e Maria,

Quem você escolheria?

– Eu amaria. (M.F.)

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Chama-se amor.

Amor, amor, amor… Sempre superestimado, sempre subestimado, mas dificilmente puramente amor, independente de fatores passados, fatores internos e externos, dificilmente puro de mágoa, de apreço, de desejo, de necessidade… Acredito que a palavra mais pesada que eu conheça é essa chamada de “amor”. Há tanto peso, positivo e negativo, em cada instante em que ela é pronunciada, nunca é uma palavra imparcial porque o próprio sentido do amor traz consigo mais um milhão de sentidos, sentimentos, expectativas e ações possíveis, e também as impossíveis. Leva à felicidade ou à frustração, à alegria ou à tristeza, depende de como essa palavra é dita, de como essa emoção é sentida.

Andei-me perguntando o porquê disso tudo, o porquê a maioria das pessoas desejam um amor e, principalmente, o porquê de o amor ser sempre colocado em pedestal de pureza e alegria. Minhas experiências com essa palavrinha pesada me renderam um bocado de tristezas e alegrias, mágoas e bloqueios, mas um desejo não assumido de senti-lo de novo, mas o que realmente me restou de todas as experiências foi o medo; e acredito que no fim das contas o que nos resta é um pouco de medo, um pouco de aprendizado e um coração esperando para bater desesperadamente de novo, de novo e de novo.

Então, quando perguntada, uma amiga me disse a seguinte frase: “o amor é importante porque ele é que liga as pessoas do mundo.” E tenho que confessar que ao ouvir isso, me arrepiei inteira, até os fios de cabelo da nuca, arrepiou-me até a alma e desabei em choro. Eu estava simplesmente subestimando algo realmente lindo, algo realmente necessário em nossas vidas, algo inexplicável, inexorável… Algo que existe para nos fazer mais leves, mais bonitos e, acima de tudo, mais felizes, independente do tempo que dure e de como será vivido. Percebi, finalmente, que é necessário sentir, acreditar… Permitir-se amar e ser amada, permitir-se ser feliz independente da maneira que o sol irá despontar no céu amanhã.

Vejo as pessoas a minha volta, todas elas estão desesperadas para sentir ou deixar de sentir e, por agora, me vejo como expectadora, ou melhor, como narrador-personagem, pois estou passado um pouco do que eu aprendi sobre o amor, sobre minhas experiências e estou recebendo, dia-a-dia, o que as pessoas ao meu redor aprenderam com ele. Outra coisa que tenho aprendi em relação a esse sentimento, é que o amor que as pessoas que eu amo sentem por outras pessoas, me afeta diretamente; me afeta porque elas passam para mim, através de mim, toda felicidade e toda tristeza que elas sentem por sentir algo por alguém. Elas sentem, elas sentem todo tempo, e eu sinto “por tabela”; eu sinto porque sinto por elas. Alegro-me e entristeço-me diariamente por vocês, por vocês que eu amo e amam tanto a mim e a outras tantas pessoas, que amam aquela pessoa que não sabem o que fazer com o seu sentimento, que já não sabem se amam ou se simplesmente dependem de alguém, mas o fato é que há vínculos… E vínculos são linhas invisíveis que nos ligam as pessoas. Como minha amiga disse, isso é o amor: a ligação entre as pessoas.

Eu estou aqui, observando vocês, cuidando do meu coração e meus amores. E agora, mais do que nunca, o amor me faz todo sentido do mundo. E para finalizar, tenho que agradecer a todos que amam, pois é por vocês que eu amo, pois é por vocês que eu me esforço diariamente para acreditar… Por vocês e por meu coração que pulsa.

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