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Archive for dezembro \23\UTC 2010

Novo blog.

Acho que cansei deste lugar, há estagnação.

http://porserintangivel.blogspot.com


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Regozijo.

Têm dias que são assim, tem dias que me transformam em furacão, em vulcão, na personificação do desastre natural. Desastre da minha natureza. Sim, nesses dias me sinto como o próprio furacão, tenho vontade de deixar estrago por onde eu passar, tenho um desejo que arde e que precisa ser sentido por alguém. Minha maior vontade nesses momentos é andar com todo esse meu desejo, com toda essa minha necessidade de estrago por aí. Não, eu não deixaria pedra sob pedra. Acabaria com tudo a minha volta, arquitetaria coisas novas, paisagens novas. Queimaria tudo, começando pelo meu desejo.

Vejo que a cada passo que eu dou algo irá destruir-se, esvair-se em chamas até tornar-se cinzas e eu me regojizo com isso. Até que tudo caia, que tudo se desfaça, eu não irei parar. Vou queimar tudo, alagar cada centímetro quadrado, levar com minha ventania todas as telhas que cobrem teu falso conforto, tua falsa sensação de proteção.

E que venha a baixo! Que tudo seja destruído, pois essa é minha vontade hoje. Se por vontade de aniquilação essa destruição deva começar por mim mesma, que seja… Eu não irei resistir à desgraça, não irei segurar pilastras, seguirei apenas meus instintos mais primitivos e destrutivos. Serei como animal selvagem em seu instinto mais puro.

Posso ver o brilho do fogo, sentir esse calor que consome minhas vísceras e tudo que eu vejo é destruição. Há uma luz laranja em tudo, há a chuva caindo para lavar toda essa sujeira, para podermos ter mais um início, mais uma purificação.

Vontade que faz minha carne pulsar, implorar por esse descontrole, por essa ruína toda. Só consigo seguir meus instintos, meus instintos urrando por perigo, por tudo aquilo que causa medo e repulsa, por tudo aquilo que é marginalizado, escandalizado, desmoralizado. É por tudo isso que minha carne pulsa… Por desconstrução, aberração. Clamo a tudo que há de devaço e libertino, andem ao meu redor esta noite.

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Miscelânea.

Sem delongas, sem desculpas ou pontos de fuga.

– O que eu causo em você?

– A sensação da sua existência me causa algo fora do tangível. Digo “a sensação da sua existência” porque tantas vezes não tenho bem a certeza de que você existe, de que você é feita de carne e osso, de luz e sombra, como eu. Você me faz fugir, faz com que eu queira me isolar como um eremita, onde eu carrego apenas minha própria luz e deixo você para trás. Você me faz querer correr com todas as minhas esforças, até que eu fique exaurido e o mais distante possível de ti. Você faz com que eu tenha vontade de te afastar de mim, de te expulsar daqui de dentro. Você faz com que eu queira sentir cada centímetro do seu corpo em encontro ao meu. Você faz com que eu seja guiado por meus instintos mais primitivos, mais sexuais, fazendo com que eu devore você com uma ferocidade selvagem. Você faz com que eu queira você em meus braços a noite inteira. Você desperta uma vontade incontrolável dentro de mim de ouvir sua voz aguda, às vezes grave, dirigindo todas as palavras mais rebuscadas do seu vocabulário só para mim. Você me faz te querer e desistir de te querer. Você faz com que eu me apaixone e desapaixone todos os dias. Você faz com que eu queira-te para mim, na minha vida, mas eu tenho medo, muito medo… Por isso eu fujo. Junto todas as minhas forças para fugir de ti e não para amar-te. E as possíveis forças que sobrarem, eu junto, eu junto e junto para poder querer-te cada vez mais, para poder querer-te e desistir. Mas e eu, o que causo em ti, mulher?

– Você me causa uma miscelânea de asco e desejo. Tantas vezes quero cuspir-te a cara, em tantas outras te desejo entre minhas pernas, em cada poro do meu corpo. Em outros muitos momentos queria apenas poder sentir sua paixão por mim, queria apenas juntar em uma rosa vermelha toda a coragem que há no mundo e entregar-te. Às vezes desejo que nada além de nós dois possa existir sobre a Terra, outras vezes desejo apenas que você não exista sobre essa mesma Terra. Queria poder acreditar no seu coração, quero que você possa acreditar no seu coração e nos motivos pelos quais você o sente quase explodir ou quase cessar de batimentos por minha causa, tudo por minha causa. Mas o que eu mais sei dizer é que você tem uma capacidade louvável de ser merda e flor, de fazer com que eu diga não e sim. Você é assim, muitas vezes, tão contraditório… Tão supérfluo e tão intenso. E, com toda honestidade que possa haver aqui dentro de mim, isso não é o que anseio, nem de longe. Mas o fato é que nesse momento eu apenas não sei. Você e todo esse fio de destino vão se desenrolar para mim e eu seguirei daqui onde estou, esteja eu pronta e disposta para despencar com a cabeça em direção aquele rio que passa há tantos metros abaixo desse penhasco, como pronta para dar meia volta e esquecer que passa um rio ali em baixo. Pode ter certeza, homem!

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Incessante.

Chove. Faz frio.

Roupas, algum dinheiro, uma ou duas lembranças, um pouco de música, câmera fotográfica. Pronto, a mochila está feita.

Depois de pegar um ônibus que andou pela cidade inteira, onde o asfalto molhado brilhava ao refletir as luzes de natal da cidade, ela chega à rodoviária. Pegou mais um ônibus, para qualquer cidade central, de lá decidiria aonde iria finalmente… Litoral, aquela cidade bonita seria o destino.

Quantas horas de viagem, cinco? Deve ter sido.

Ela carregava certo peso; e não, não era o peso das malas… Era o peso do seu coração. Sim, estava pesado, estava desejoso por um certo alguém.

Havia chegado, finalmente, ao seu destino final. Fazia um dia radiante, a luz dourada parecia invadir até seu âmago. Impressionante. Ela estava brilhando junto com a cidade.

– Como desejo segurar suas mãos, sentir teu corpo num abraço sem fim.

Após andar um tempo com todo aquele peso nas costas e no coração, o telefone toca. Ela atende e ouve sua voz; sua voz é como um antídoto para um sentimento que ardia. E, de repente, alguém a toca no ombro.

– Até que enfim. Disse ele desligando o telefone e a abraçando com toda sua vontade, paixão e zelo que escorriam pelos braços, pelas mãos e pelos corações inexoravelmente pulsantes de emoção colorida.

E o tempo parou. Mas os corações não, pois eram incessantes.

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Doce.

Dia nublado e quente. O clima de dezembro é sempre contraditório; você dorme com barulho de chuva e acorda com um dia de nuvens e sol, nuvens e sol, sol sem nuvens, sem sol sem nuvens. Dias assim, estranhos.

Alma latina, intensidade de um drama hispânico, senhoritas do século XIX sentadas em bancos de um solar segurando em uma mão o guarda-sol e em outra um coração palpitante. À espera. Leva consigo um colar, um sorriso que ela tanto deleitou e agora fica guardado em algum lugar do seu coração, tantas cenas coloridas ou embaladas por velas e meia-luz.

Ah, que bom sentir! Fazer-se doce.

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Viva ou morta.

Quatro paredes, um teto e um assoalho de madeira. Quatro janelas, onde o calor opressivo da rua quase é capaz de adentrar a casa. Uma grande porta de madeira com detalhes em vidro, separando a realidade interna da realidade externa. Mas que realidade será essa? Será mesmo realidade ou qualquer tipo de expectativa frustrante, qualquer tipo de ideal dilacerante? Quem sabe…

Essa luz que adentra as janelas, esse calor… Parece que a acorrentam que a torturam. É como se dissessem: “veja quanta vida, quanta vastidão e você está encarcerada a seja lá o que for, totalmente estática.” Uma sensação de impotência, insatisfação inexorável invade seu ser. Ela não entende. Não, ela não entende. Chega a ser cansativo pensar sobre o que é ou não estar vivo, sobre o que é paz de espírito. Tantas tardes e madrugadas que ela já  se esvaiu em críticas, apenas pensando sobre como é estar lá fora.

Impotência, invalidez, insatisfação.

– O que mais você deseja, hein? Essa paixão não te basta, esse fogo não te basta, essa auto-suficiência toda não te basta? Que porra você ainda quer? Quer sugar até a última centelha de vida das pessoas que te cercam? Vampira.

O que mais, afinal, é possível desejar?

Nada lhe impede de sair por aí derrubando paredes da consciência, nada te mantém, verdadeiramente, atada a algo. Nada te mantém, essa é a verdade.

– Pegue toda essa sua liberdade, que você pensa não ser suficiente, e suma daqui. Leve contigo todos os cadeados que você espalhou por aí, espalhou pelas pessoas. Destranque todos os cadeados e dê o fora daqui, antes que eu tenha que fazer isso por você, garota. Não passa de uma garota mimada, entediada com tanta liberdade, entediada consigo mesma… Entediada consigo mesma. Vá embora!

O que a prende, seja lá ao que for?

– Aí que você se engana, nunca estive tão livre de amarras. Seu julgamento é sempre premeditado, sempre parcial. Logo, sempre errado. Somos duas garotas, duas garotas totalmente diferentes. Pré-conceitos são pré-conceitos, uma opinião meramente pessoal sobre alguém que você conheceu há anos, sobre alguém que você viu pelas ruas. Você está, e sempre estará, enganada, pelo simples fato de não estar mergulhada em emoções, por não estar mergulhada em vida verdadeiramente viva e pulsante. Restam-lhe piscinas vazias – como mergulhar se não há água, não há sentimento? -, chuveiros de onde saem apenas desespero contido, espelhos que refletem uma mentira, uma enganação – enganação que não nos convence, muito menos convencerá você mesma. Você está vazia. Você estará como um zumbi até que morra de fato e renasça para nós.

Sem conceitos, por hoje. Veja como amargo pode ser um julgamento. Ela está completamente viva, plena… Você está esperando pelo amanhã, pelo depois de amanhã. Até quando suportará, até quando suportará essa falta de profundidade, até quando suportará não colocar os pés na água?

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