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Amor, amor, amor… Sempre superestimado, sempre subestimado, mas dificilmente puramente amor, independente de fatores passados, fatores internos e externos, dificilmente puro de mágoa, de apreço, de desejo, de necessidade… Acredito que a palavra mais pesada que eu conheça é essa chamada de “amor”. Há tanto peso, positivo e negativo, em cada instante em que ela é pronunciada, nunca é uma palavra imparcial porque o próprio sentido do amor traz consigo mais um milhão de sentidos, sentimentos, expectativas e ações possíveis, e também as impossíveis. Leva à felicidade ou à frustração, à alegria ou à tristeza, depende de como essa palavra é dita, de como essa emoção é sentida.

Andei-me perguntando o porquê disso tudo, o porquê a maioria das pessoas desejam um amor e, principalmente, o porquê de o amor ser sempre colocado em pedestal de pureza e alegria. Minhas experiências com essa palavrinha pesada me renderam um bocado de tristezas e alegrias, mágoas e bloqueios, mas um desejo não assumido de senti-lo de novo, mas o que realmente me restou de todas as experiências foi o medo; e acredito que no fim das contas o que nos resta é um pouco de medo, um pouco de aprendizado e um coração esperando para bater desesperadamente de novo, de novo e de novo.

Então, quando perguntada, uma amiga me disse a seguinte frase: “o amor é importante porque ele é que liga as pessoas do mundo.” E tenho que confessar que ao ouvir isso, me arrepiei inteira, até os fios de cabelo da nuca, arrepiou-me até a alma e desabei em choro. Eu estava simplesmente subestimando algo realmente lindo, algo realmente necessário em nossas vidas, algo inexplicável, inexorável… Algo que existe para nos fazer mais leves, mais bonitos e, acima de tudo, mais felizes, independente do tempo que dure e de como será vivido. Percebi, finalmente, que é necessário sentir, acreditar… Permitir-se amar e ser amada, permitir-se ser feliz independente da maneira que o sol irá despontar no céu amanhã.

Vejo as pessoas a minha volta, todas elas estão desesperadas para sentir ou deixar de sentir e, por agora, me vejo como expectadora, ou melhor, como narrador-personagem, pois estou passado um pouco do que eu aprendi sobre o amor, sobre minhas experiências e estou recebendo, dia-a-dia, o que as pessoas ao meu redor aprenderam com ele. Outra coisa que tenho aprendi em relação a esse sentimento, é que o amor que as pessoas que eu amo sentem por outras pessoas, me afeta diretamente; me afeta porque elas passam para mim, através de mim, toda felicidade e toda tristeza que elas sentem por sentir algo por alguém. Elas sentem, elas sentem todo tempo, e eu sinto “por tabela”; eu sinto porque sinto por elas. Alegro-me e entristeço-me diariamente por vocês, por vocês que eu amo e amam tanto a mim e a outras tantas pessoas, que amam aquela pessoa que não sabem o que fazer com o seu sentimento, que já não sabem se amam ou se simplesmente dependem de alguém, mas o fato é que há vínculos… E vínculos são linhas invisíveis que nos ligam as pessoas. Como minha amiga disse, isso é o amor: a ligação entre as pessoas.

Eu estou aqui, observando vocês, cuidando do meu coração e meus amores. E agora, mais do que nunca, o amor me faz todo sentido do mundo. E para finalizar, tenho que agradecer a todos que amam, pois é por vocês que eu amo, pois é por vocês que eu me esforço diariamente para acreditar… Por vocês e por meu coração que pulsa.

24.

Me desfaço, me contradigo, me recuso. Te desfaço, te contradigo, te recuso. Me faço, me digo, me aceito. Te faço, te digo, te aceito. Me desafio, me descrevo, me escrevo, me desejo. Te desafio, te descrevo, te escrevo, te desejo. Me desprezo, me puno, me machuco. Te desprezo, te puno, te machuco. Me concerto, me vejo, me aceito. Te concerto, te vejo, te aceito. Eu e tu, mas sem eles.

O que é, o que traz e como ter um amor? Incontáveis respostas existem para essas perguntas, pois o amor é plural, uma experiência pessoal. Mas para mim há uma resposta para essas perguntas: coragem. Coragem de compartilhar é o que traduz o amor, coragem para enfrentar cada pequeno ou grande drama é o que traz o amor e enfim, para tê-lo é preciso ter coragem, ter a bravura de antigos cavaleiros.

Estava assistindo um programa na televisão que mostrava um festival no Butão. Em uma determinada cena as pessoas começavam a atravessar um rio que descia desde as geladas montanhas. De repente, é registrado um homem vestido com as características vestes butanesas, bastante coloridas, levando no colo uma mulher, também vestida com panos coloridos. Era um casal, dois amigos ou familiares, mas a lembra torna-se mais gostosa quando penso que era um casal cheio de paixão, amor, anseios… O fato é que a cena transbordava doçura colorida.

Repenso o que havia dito e concluo que, além de coragem, é preciso ter doçura, pois um não seria completo sem o outro. Muita coragem e pouca doçura ou pouca coragem e muita doçura, como é o seu caso, seria mais um amor não realizado… Um ideal frustrado.

De que adianta eu ser a pessoa que você vê quando fecha os olhos se, nem ao menos, um passo em minha direção você é capaz de dar? Que você seja capaz de caminhar com coragem até mim sem esquecer-se de sua doçura.

Acho que nenhuma fotografia poderia expressar isso tudo, mas de qualquer forma coloquei alguma que pudesse se encaixar.

22.

O que é preciso para estar vivo? Ter apenas um pulmão inflando e um coração pulsando? Ou seria apenas, depois de um bom filme, ouvir o bater das teclas digitando palavras flutuantes? Talvez seja isso. Talvez seja, mais do que tudo, sentir a vida dentro de você. Muito mais do que órgãos funcionando… Alma funcionando. Isso sim é estar vivo. É então o que deve ser prezado.

Em um planeta, mais de seis bilhões de pessoas, mais de seis bilhões de almas, de corações que pulsam… Mais de seis bilhões de bocas sorrindo, beijando, urrando de ódio ou de prazer. Mais de seis bilhões de pessoas vivendo.

Neste momento, imagine: quantas pessoas estão dormindo, sorrindo, emocionando-se, transando, berrando ou simplesmente pensando sobre o significado de algo como a vida, como o sentir, o saber. Trivial ou não, estão vivendo e isso faz a existência ter um peso, uma marca aqui na Terra, na nossa casa, na vida de outros seres e assim sucessivamente.

O fato é que sou um ser em meio a bilhões deles. Você é um ser em meio a bilhões. Saber que você existe pode parecer pouco, mas estou concluindo que em meio a uma quantidade quase incontável de vidas, de mentes e de corações pulsantes não poderia haver uma verdade absoluta, simplesmente porque somos plurais, somos incontáveis, inimagináveis… Existimos enfim.

Eu sou, eu existo, eu sinto, eu vivo. – Que assim seja!

Já cheguei a dizer que as tardes são momentos imprestáveis e maçantes do dia, mas por incrível que pareça são nesses momentos em que eu me sinto mais à vontade e mais inspirada para escrever. Vai entender… Talvez seja pela luz dourada que entra pelas janelas e invadem a sala, ou pelo calor preguiçoso que faz com que meus gatos e eu fiquemos largados no sofá à espera da noite. E justamente nesta espera, entre estar dormindo e esperando pela noite, que começo a pensar sobre o cotidiano e também sobre coisas não tão cotidianas assim.

Me pego negando e fugindo, mas durante essas tardes preguiçosas chego a criar uma prece para que eu aceite, para que eu não fuja mais do meu coração, da minha alma. E que, mais ou mais tarde, o sentimento se torne inevitável em mim. Talvez eu evite as tardes porque elas me trazem verdade, me fazem pensar e olhar para dentro de mim mesma. Fuga.

Haveria uma chave, uma senha ou algo mais poético para então eu conseguir me abrir? Quem sabe uma palavra, um gesto… Não tenho certeza. Mas a verdade é que nessas horas de que serve uma certeza? De que serve? E uma mala cheia de mágoas e pesos inúteis, para que haveria de servir? Na verdade eu sei a resposta, ela é um peso, é o verdadeiro cadeado do medo, o medo que me prende e paralisa. Sim, este é um bom momento para jogar essa mala no lixo comum, nada de reciclável aqui, afinal isso nunca mais deve voltar e o que poderia ter serventia dessa mala já foi utilizado. Sem dúvidas.

O mais difícil é dar o primeiro passo, colocar essa grande mala na rua para que o lixeiro leve embora para nunca mais voltar. Que leve embora para o “grande lixão dos sentimentos inúteis”. O mais engraçado de tudo isso é que essa mala é algo comum na vida de todos os seres humanos, uns se livram rápido dela e já outros a carregam por uma existência inteira; pobres infelizes.

Talvez hoje seja dia de lixeiro e caso não for, amanhã ou depois com certeza será. Afinal, o lugar de coisas que não nos servem mais é no lixo.

Melhor mesmo é a aproveitar essa tarde dourada e quente e aguardar pelo inevitável.

Às vezes me torno incoerente. Melhor assim.

Apenas eu.

  É domingo, amanhã é meu aniversário. É quase meio-dia, o cheiro do molho de tomate está invadindo a casa toda. O tempo está quente e seco, parece que estou em pleno verão do Mediterrâneo. Logo de manhã fui colher amoras, isso é o que eu chamo de “pequenos prazeres”. Esse é lado bom desse calor todo, as amoras anteciparam sua chegada. Acalentador, eu diria. Mas enfim, isso tudo não vem ao caso agora.

  O fato é que eu quero chuva, já faz dois meses que não chove aqui, já faz dois meses que as nuvens não me trazem um pouco de emoção nesse deserto todo. Preciso sentir algo aqui, preciso colocar meus pés em uma poça d’água, preciso sentir aquele cheiro de terra molhada e principalmente, pensar com nostalgia e esperança sobre a vida. Parece-me que não é apenas Rio Claro que está seca.

  Estou em algum lugar alto, algum lugar acima das coisas mundanas, acima dos sentimentos humanos, me sinto alheia. Vejo tudo de cima, como um narrador observador, onisciente. Sei dizer um pouco de cada um que vejo, interpreto um pouco de cada um através do que eu vejo… Às vezes é bom sentir algo, mesmo que não seja algo verdadeiramente meu, que seja algo que eu compartilho e sinto à distância. Mas na verdade, nada me toca de verdade ou tudo me tocando que já nem sei mais. Devo estar poupando alma, como já ouvi dizer. Pensando bem, não estou poupando alma nenhuma, estou evitando.

  Começo a pensar que aqui falta chuva, em mim falta sentimento, mas qual é o problema disso? Não quero sentir, não faz mais sentindo algum pra mim, não me toca mais. É simples. Não entendo por que o mundo fica a gritar: “Vamos amar, vamos nos apaixonar porque tudo que existe de lindo do mundo só existe porque nós amamos alguém.” Ou melhor, não agüento mais ouvir o mundo gritando isso. Eu não entendo, não agüento e não quero ouvir que a maneira que eu levo as coisas está errada, pois não está, não está e apenas eu posso dizer o que é certo, o que é melhor, o que me toca mais. Apenas eu.

  E não, eu não quero saber o que você acha dos meus paradigmas, das minhas “travas” e bloqueios, porque isso só diz respeito a mim. Quem pode dizer o que é bonito ou não? E sim, eu vejo coisas lindas, sinto meu coração leve quando vejo, ouço e digo certas coisas e para isso eu não preciso estar apaixonada, amando e fazendo papel de ridículo por aí.

  Enfim, que me chamem de fria, racional, indiferente e mais qualquer adjetivo que desejar, pois o que eu sei é que eu sinto um calor muito grande quando eu faço o que gosto, quando escrevo, quando fotografo, quando meu gato deita no meu colo. Sinto-me imensamente incontrolável e emocional quando ouço algumas músicas, vejo alguns filmes, dou um ábaco verdadeiro e quando meu gato dorme de língua pra fora. Sinto-me extremamente envolvida, tocada e dedicada quando olho para algo que me importo, quando vejo uma injustiça. No entanto, me chamam de fria. Que seja.

  “Que fique muito mal explicado, não faço força para ser entendida. Quem faz sentido é soldado.”

  P.S.: Eu amo minha individualidade. Me dividir é o caralho.

19.

É roxo. Há uma luz, uma energia roxa pelo quarto todo.  Ela olha para um dos cantos do quarto, encontro de paredes roxas. Começa a escrever e pensar sobre certas coisas que não deveriam ser racionalizadas.

Fraqueza. Frustração. Sim, ela sente um misto desses dois sentimentos. Como um bolo Formigueiro, mas a sensação aqui, ao contrário do bolo, não é nada doce… É bem amargo, na verdade. É difícil até de sentir, imagine para explicar em palavras!

Qual o motivo? Qual a explicação? Há um por quê? Poderíamos falar que não é o momento certo, a pessoa certa, o sentimento certo. Mas não há uma resposta exata para perguntas subjetivas.

Coloca-se como vítima, como agressora, com raiva, inundada de tristeza. O fato é que ela não acha uma explicação, é difícil de entender. Mas é isso então, ela simplesmente não sente. – Um ponto final cairia bem aqui?

Olha para um lado, para outro, procura entender. Há dias em que tudo parece conspirar tudo parece apontar um “dedo divino” na cara dela e dizer: “Quem está errada é você. Não há o que explicar. Você simplesmente deixou de acreditar e por isso deixou de existir, de poder existir.” Mas seria mesmo algo tão divino e elevado assim ou apenas um “porque” racionalizado?

– Não consigo, não consigo entender. Não consigo, não consigo enxergar. Só posso dizer que dói, que dói porque não se sente, porque se enxerga… Sim, porque sou cega.

É sempre estranho olhar para o lado e ver acontecer, acontecendo, ver alguém que é capaz disso. Ela sente como se o vazio dentro dela começasse a apertar-se e retorcer-se, como um trapo velho e sujo, como paredes que se fecham e esmagam alguém lá no meio… Quase surreal, mas é real. É real porque você passa por isso, tenta fechar os olhos, a mente e o coração… Mas é inevitável, minha querida, está acontecendo. Ou melhor, não acontece, não está acontecendo.

Há sempre algo lá fora, há sempre muita coisa lá fora… Idas e vindas, começos e finais, recomeço. É fato, não há como lutar contra isso, pois por onde você passa há vida, está tudo vivo, estão todos vivendo. Respiração, pulsação, abrir e fechar dos olhos, o mover dos músculos, está tudo vivo o tempo todo, está tudo em eterno movimento. Menos você, ela.

É como uma carcaça, um zumbi… Um corpo que se move, respira, mas não pulsa, não está realmente e verdadeiramente vivo. Não é nada além do que uma aspiração de ser humano. E dói, e dói, e dói, e dói, e dói, e dói, mas ao mesmo tempo é impossível sentir, é impossível reagir, impossível mover-se… Ela não passa de um zumbi.

Casca fria, sem vida e emoções. E dói, e dói, e dói e esquece-se, deixa de saber que dói.

Racional, racional, racional, racional, não dói, não sente, não vive, não lembra. Já se esqueceu. Agora respira e vai-se embora. Até outro dia, porque sempre há algo dentro de ti, casca fria, que teima em gritar por vida, por sangue. Até outro dia, enfim.